Em Abril de 2010, um semanário local publicava em primeira página uma notícia com o título “Paulo Cunha processa Paulo Silva”. Confesso que fiquei surpreendido pela notícia, não tanto pelo seu conteúdo, mas mais porque esse semanário não tinha sequer me contactado para saber a minha versão sobre os factos, ouvindo apenas a versão da outra parte. Aprendi que um jornalista, para ser isento, devia de ouvir ambas as partes. Pelos vistos para esse semanário, apenas a versão de uma das partes interessava, o que demonstra o quão tendenciosa era a notícia, e que esse semanário, ao contrário do que apregoa, não é “independente”… Como nunca fui de me calar, quando tive hipótese, perguntei à directora desse jornal a razão porque não me tinham sequer ouvido, negando-me o direito à defesa. À falta de argumentos, a resposta foi um lacónico “critério jornalístico”. Que critério…
Na sequência dessa notícia, Paulo Edson Cunha fez publicar no seu blogue uma série de comentários alegadamente anónimos, mas cuja publicação foi feita com o seu consentimento, que puseram em causa a minha dignidade pessoal e profissional. Tudo valeu a Paulo Edson Cunha para me denegrir desde afirmações de que “andava mal vestido” até acusações de querer “taxo”, não se inibindo de afirmar que havia sido nomeado “vice-presidente de uma empresa nacional”, tudo porque o Governo do PS nomeou um “Paulo Silva” para vice-presidente da empresa “Baia do Tejo”. Acontece que não sou o único “Paulo Silva” que existe neste País e não fui, e se fosse não aceitaria, nomeado vice-presidente de empresa nenhuma, facto que Paulo Edson Cunha não podia ignorar. Na vida nunca me movi por interesses, na política nunca estive por “taxos”! Se fosse essa a minha preocupação teria certamente aderido a outro Partido político, pois no PCP a política faz-se por ideais e não por compadrios. Para além de denegrir a minha imagem e de devassar a minha vida privada, Paulo Edson Cunha não se inibiu de publicar um comentário em que era afirmado que eu merecia era uma “boa carga de porrada”.
Não sei se Paulo Edson Cunha pensou que, com esse comentário, me amedrontaria, se o pensou enganou-se rotundamente, porquanto face a todos esses comentários apresentei a competente queixa crime contra ele, pois entendo que na politica não vale tudo. Até compreendo o ódio que Paulo Edson Cunha possa ter contra a minha pessoa, porque se o PSD nas ultimas autárquicas perdeu um vereador foi porque descobri que haviam sido contabilizados como sendo do PSD dois votos que o não eram. Mas isso não lhe dá o direito de vir para a praça publica ameaçar-me com uma “boa carga de porrada”, e muito menos lhe dá o direito de ofender e difamar.
Sendo Paulo Edson Cunha advogado, entendi por bem respeitar a deontologia profissional – o mesmo não aconteceu com Paulo Edson Cunha - e foi-lhe dado prévio conhecimento que iria ser apresentada contra ele queixa crime. Por esse facto os comentários difamatórios de imediato terminaram.
Como quem não “deve não teme” e acredito na justiça, nunca me preocupei com a queixa crime que Paulo Edson Cunha apresentou contra mim. Pacientemente esperei que o Tribunal me convocasse para prestar declarações e explicar as afirmações que havia escrito. Sabia que a razão estava do meu lado!
Acontece que em Novembro de 2011 fui convocado para prestar declarações no âmbito da queixa crime que apresentei contra Paulo Edson Cunha. Estranhando ser primeiro convocado para prestar declarações no âmbito dessa queixa, quando a de Paulo Edson Cunha teria entrado em primeiro lugar, decidi voluntariamente deslocar-me ao Ministério Publico do Seixal para saber noticias sobre a queixa crime que teria sido apresentada contra mim. Fui então informado que a mesma havia sido liminarmente arquivada pelo Ministério Publico…
Quanto à queixa crime que apresentei contra Paulo Edson Cunha, a queixa foi aceite pelo Ministério Público, o respectivo inquérito foi aberto e Paulo Edson Cunha constituído arguido e sujeito a medida de coacção que o impede de se ausentar da sua residência por um período superior a cinco dias, sem previamente informar o Tribunal.
É bom que o Drº Paulo Edson Cunha, como arguido, reflicta sobre a sua conduta e conclua que na política deve haver lisura, e que não é difamando, mentindo ou ameaçando com “carga de porrada” que se faz política.